Amazônia grita

Tem uma coisa que eu não entendo no governo Bolsonaro. Aliás,tem muita coisa, mas essa em especial me pega.


Por um lado, entendo comprar briga com as ditas potências ocidentais como um movimento de distanciamento do seu pensamento colonialista. Uma espécie,argumentariam os Jair-Carlos-Eduardos, de destino manifesto contemporâneo: ''Querem salvar o Brasil para comprar a Amazônia''.Rs.


Entendo: em alguns níveis isso é profundamente verdade e o governo para constar seu ponto finca a bandeira brasileira em um território geograficamente seu e recusa ajuda exterior. Estranho, mas ok.


Por outro lado, insiste como ninguém em um modelo de exportação intrinsecamente colonial,vendendo e investindo pesado em matéria prima. Ante-ontem era pau-brasil. Ontem café. Hoje carne e soja.


É como se a gente vivesse em uma rua onde você faz tudo a um clique de distância, interconectado,de última geração com comando de voz e do outro lado da esquina, seu vizinho,está plantando café, um pé de cada vez. AH, é exatamente o que a gente vive.


E,paralelo a isso,''a priori'', o PIB precisa crescer. É preciso vender mais, mais produtividade, menores custos, melhores acordos. Bom, para vender mais carne, mais pasto, isso é,mais desmatamento. O foco,claro,resquício colonial:matéria prima.


Essa própria equação de pasto = mais terra, é errada.Não é possível que não haja maneiras de ganhos de produtividade com manejo de terra sem precisar desmatar mais. No entanto, a lógica permanece essa. E a amazônia grita até o pulmão não aguentar mais.


Hoje em dia isso se chama retrocesso e industrialização ao avesso. O investimento não é no topo da cadeia de suprimento,mas é na base, naquilo que tem menor valor agregado. Aí,Ricardo e Jair, pode balbuciar pro mundo à vontade, mas o país não vai se desenvolver. É preciso agir. E agir não é jogar a responsabilidade ambiental para os veganos.


Sinto uma responsabilidade tremenda com tudo que está se passando. E no nosso dia-a-dia no escritório ganhamos força por saber que o caminho é esse mesmo, aos trancos e barrancos, dando força a um movimento que tem o propósito e o poder de contribuir com objetivos sociais e ambientais.


Empreender e abrir um negócio tem como seu coração resolver problemas. Quando o problema é no pulmão do mundo, isso mexe com o todo. Mas esse coração não pára de pulsar. E vai fazer acontecer.


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