Amazônia II

Não vamos esquecer: A derrubada da floresta tropical do Brasil é cada vez mais intensa. Segundo as autoridades, 6404 quilômetros quadrados já foram destruídos nos primeiros oito meses - quase o dobro do que no mesmo período do ano passado.


SEIS MIL QUATROCENTOS E QUATRO QUILÔMETROS

O desmatamento da Floresta Amazônica brasileira quase dobrou em um ano. No mesmo período do ano passado, foram 3367 quilômetros quadrados. Isso foi não é bláblábla pseudo-científico, o número foi anunciado pelo Instituto Brasileiro de Pesquisas Espaciais (INPE). Os especialistas prevêem que até o final do ano, um total de 10.000 quilômetros quadrados de floresta será destruído. Segundo dados de satélite, somente em agosto foram desmatados 1700 quilômetros quadrados de floresta amazônica. Isso é três vezes mais do que em agosto de 2018.

Bolsonaro e o lobby agrícola

O nosso presidente Jair Bolsonaro vê a publicação do INPE de forma crítica.Há um mês, em um movimento profundamente perturbador,ele havia demitido o chefe do instituto Ricardo Galvão uma vez que as estatísticas não iam de encontro com sua opinião pessoal. Isso pode ser tomado como um sintoma central do nosso sistema hoje: opinião x ciência com prevalência da opinião.


Em grego clássico, existe um nome para esse tipo de pessoa: philodoxoi. ``Philo`` de amigo e ``doxa`` de opinião. São os famosos amigos da opinião. E posso dizer, para sintetizar, que esse pessoal nunca conseguiu conquistar muita coisa. Só hoje que o gogó vale mais que dados. Bolsonaro está intimamente associado ao lobby agrário e relaxou as regulamentações ambientais. Os agricultores brasileiros foram autorizados a queimar não cinco, mas 20 hectares de terra. As autoridades, que devem impedir a limpeza ilegal, foram enfraquecidas sob Bolsonaro. As áreas florestais em crescimento são limpas e depois incendiadas para dar espaço à agricultura e pecuária.


Ou seja, o desmatamento na amazônia (ilegal e legal) está fortemente associado à grilagem de terras e especulação das florestas públicas não destinadas. Rapidamente para quem não pegou a ideia:


1)Primeiro, são mapeados as madeiras de valor da floresta.

2)Arranjam um madeireiro para fazer a extração ilegal da madeira e vendem no mercado negro.

3)Contratam terceiros para derrubar todas as árvores que ficaram.

4)Em determinado momento (após a época de chuva) começam a tacar foco na madeira que está secando no chão.Esse fogo é sem planejamento e sem delimitação.

5)Como se não soubessem de nada, cercam o terreno pela baixa produtividade.

6)Forjam um papel de compra e venda, criam registros diferentes em cartórios, canais da prefeitura e do governo federal.

7)Depois, cobram a regularização para formalizar o novo território que, por milagre, caiu do céu.

O esquema é nítido;transparente; público. Só não vê quem não quer enxergar. É parecido com o consumo de carne: é mais fácil fechar os olhos e tampar os ouvidos, massageando um pouco o sentimento de culpa com um banho mais curto.

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