No meio do caminho tinha um legume

..e tinha um legume, no meio do caminho.


Ainda na Alemanha, encantado com o que o mundo começava a me oferecer, me dei conta de que no meio do caminho, meu amigo Drummond, também tem legumes, frutas, tubérculos,oleaginosas..o que para muita gente,admito,não é mais que pedra.


Em meio à cozinha, muitas coisas acontecem em um verdadeiro frenesi gastronômico. E nem sempre as coisas que estão na ponta do nariz ficam nítidas. No entanto, como o poeta, nunca me esquecerei deste acontecimento: consegui comprar farinha de mandioca e, alô comunidade, é dia de farofa! Mas dia de farofa na Alemanha, é dia de, sinceramente, bulufas. No entanto,foi nesse dia que descobri que o que para nós brasileiros é tão cotidiano como uma farofa, para outras culturas, é ''areia'' ou simplesmente...algo quase inconcebível.


Essas coisas me aguçam o pensamento e me fizeram pensar: Se alimentos simples podem causar tamanha curiosidade (quando não afastamento) por serem não-ordinários, uma cultura dietética totalmente diferente como é o veganismo, pode causar um choque em tanto. Vale lembrar que o termo ''dieta'' vem da grego ''diaeta''que significa, literalmente, modo de vida e abrange muito mais do que simplesmente sua opção do almoço.


Mergulhei de cabeça. Não consegui mais me adequar a nada que não alinhasse o que eu pensava, com o que eu falava e comia. Era uma nova maneira de relacionar e de pertencer ao mundo. Relativamente solitário, mas satisfatório. No caso do veganismo, parece que o antigo poema de Drummond ainda vêm a calhar, mas a onde antigamente o mundo tropeçava em uma pedra, hoje tropeça em legumes: uma nova forma de perceber o ciclo no mundo. Em outras palavras, viver de forma sustentável.




Power to the veggies! Até semana que vem :)


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